quarta-feira, 4 de novembro de 2009


Mordaça


Não vou começar a escrever

Quero tudo guardado onde está

Escondido, debaixo do tapete

Ninguem quer ver

Eu não quero ver


Não quero a alma ao relento

Pobre, triste, sozinha...

Ela precisa de carinho e resguardo


Está segura assim

As palavras lhe devem respeito

Agora se preservam mudas

...


Andressa Iha

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Enigma

Vai que não se vê
Lê, que não se entende
Escuta o que não pode ser proferido
O que são?
Tempos perdidos nas sarjetas da incoerência

Andressa Iha

segunda-feira, 27 de abril de 2009

quem é vivo sempre aparece

Segundos

Um segundo pra acordar
Um segundo pra comer
Um segundo pra correr
Um segundo pra trabalhar
Um segundo para ler
Um segundo para ouvir
Outro segundo e vai cantar
Dois segundos para amar
Três para esquecer
Um segundo e escreve
Um segundo e rabisca
Um segundo, última linha
Três segundos olhando o movimento
Um carro, uma moto, uma criança pulando corda
Um segundo e cai a casa!
Cinco segundos de raiva
Dois segundos de lágrimas, um pra cada olho
Mais outros tantos pensando na vida...
O tempo corre, os momentos escapam

Foi-se mais um minuto da sua vida.

andressa iha

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009





Meses escrevendo...
dias sem escrever....








Finalmente

É cansativo pensar, escrever, deixar os olhos abertos
A exaustão de sentir
O cansaço corrói, a luta não parece ter o mesmo sentido
Enfim... parece ter chegado o ponto final.

Andressa Iha

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Rebaixamento da Poesia

Abaixo a poesia!
Abaixo sua elevação!
Não quero mais saber desses círculos restritos

-Huahuahuahu - "Não minha senhora, aqui as expressões verbais
de riso e alegria devem ser proferidas
por meio de uma bela dança dos lábios,
através do deslumbre de um claro amanhecer incrustado em teu sorriso."
-Hã?

As almas mais elevadas tem a capacidade de entender
Sorte delas!
E os outros? Pobres mortais, continuam renegando a poesia
É um problema não ser tão superior
Não entender a censura imposta aos "tolos"

A poesia vem do âmago
Mas o que é âmago?
Seja o que for, caros "tolos", não se enganem
Rebaixem a poesia!

Esqueçam os eruditos e sua seriedade.
A poesia vem de onde quiser

Andressa Iha

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

As fases do Sol



Está absolutamente errado.
Por que a Lua fria e tênue deve ser regida por ciclos?
Por que não o Sol ser feito minguante?
Sejamos honestos,
o Sol está sempre lá, redondo e amarelo
para qualquer um ver, exceto em dias nublados;
já a vida em seus dias tão fatigantes nem sempre corresponde ao astro rei.

Imaginem a revolução
Sol Crescente para os dias de esperança,
cheio para as festas,
Minguante quando a vida parecer se esvair,
Nova para escurecer o céu
e fingir que de fato tudo acabou;
um pequeno disfarce
para o Sol Crescente ressurgir

E a Lua? O que seria feito dela?
Encantaria as noites mais sombrias
Plena sempre
Para os rostos pálidos ou corados
Para todos a Lua seria cheia

Andressa Iha

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Vou-me Embora pra Austrália



Vou-me embora pra Austrália

Lá sou amiga do rei

Lá tenho o homem que eu quero

No local que escolherei

Vou-me embora pra Austrália

Vou-me embora pra
Austrália

Aqui sou infeliz

Por lá a existência é uma aventura

Intensa e a todo instante

Que os desertos e a praia

Os reis do surf e o Sol dormente

Venham me fazer sorrir plenamente

Momentos assim, aqui nunca tive

E farei academia

Andarei de bicicleta

Cruzarei o país de moto

Pularei de bungee jumping


Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansada

Deito à beira da praia

Mando trazer o celular

Pra ligar e relembrar as histórias

Que no tempo de eu menina

As amigas vinham comigo conversar

Vou-me embora pra Austrália

Na Austrália tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a decepção

Tem homem romântico

Fazendo todas as suas vontades

Tem príncipes encantados

Para a gente esnobar

E quando eu estiver mais triste

Aquela tristeza de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amiga do rei —

Terei o homem que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Austrália



RELEITURA DE "VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA" (MANUEL BANDEIRA)

Andressa Iha

Edição de imagens: Diogo Viana
poetaeterno.blogspot.com