segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Rebaixamento da Poesia

Abaixo a poesia!
Abaixo sua elevação!
Não quero mais saber desses círculos restritos

-Huahuahuahu - "Não minha senhora, aqui as expressões verbais
de riso e alegria devem ser proferidas
por meio de uma bela dança dos lábios,
através do deslumbre de um claro amanhecer incrustado em teu sorriso."
-Hã?

As almas mais elevadas tem a capacidade de entender
Sorte delas!
E os outros? Pobres mortais, continuam renegando a poesia
É um problema não ser tão superior
Não entender a censura imposta aos "tolos"

A poesia vem do âmago
Mas o que é âmago?
Seja o que for, caros "tolos", não se enganem
Rebaixem a poesia!

Esqueçam os eruditos e sua seriedade.
A poesia vem de onde quiser

Andressa Iha

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

As fases do Sol



Está absolutamente errado.
Por que a Lua fria e tênue deve ser regida por ciclos?
Por que não o Sol ser feito minguante?
Sejamos honestos,
o Sol está sempre lá, redondo e amarelo
para qualquer um ver, exceto em dias nublados;
já a vida em seus dias tão fatigantes nem sempre corresponde ao astro rei.

Imaginem a revolução
Sol Crescente para os dias de esperança,
cheio para as festas,
Minguante quando a vida parecer se esvair,
Nova para escurecer o céu
e fingir que de fato tudo acabou;
um pequeno disfarce
para o Sol Crescente ressurgir

E a Lua? O que seria feito dela?
Encantaria as noites mais sombrias
Plena sempre
Para os rostos pálidos ou corados
Para todos a Lua seria cheia

Andressa Iha

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Vou-me Embora pra Austrália



Vou-me embora pra Austrália

Lá sou amiga do rei

Lá tenho o homem que eu quero

No local que escolherei

Vou-me embora pra Austrália

Vou-me embora pra
Austrália

Aqui sou infeliz

Por lá a existência é uma aventura

Intensa e a todo instante

Que os desertos e a praia

Os reis do surf e o Sol dormente

Venham me fazer sorrir plenamente

Momentos assim, aqui nunca tive

E farei academia

Andarei de bicicleta

Cruzarei o país de moto

Pularei de bungee jumping


Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansada

Deito à beira da praia

Mando trazer o celular

Pra ligar e relembrar as histórias

Que no tempo de eu menina

As amigas vinham comigo conversar

Vou-me embora pra Austrália

Na Austrália tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a decepção

Tem homem romântico

Fazendo todas as suas vontades

Tem príncipes encantados

Para a gente esnobar

E quando eu estiver mais triste

Aquela tristeza de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amiga do rei —

Terei o homem que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Austrália



RELEITURA DE "VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA" (MANUEL BANDEIRA)

Andressa Iha

sábado, 20 de setembro de 2008

De esgueio

Inspire... expire... inspire...
O que aconteceu?
Expire

Já é dia?
Inspire

Há algo que esquece
Expire... inspire

O mundo vai girando
É a Terra
(é o copo)
Expire

A memória falha
Tudo repetindo
Os dias, as histórias, as palavras

Inspire... para não esquecer
Como??
Expire...
Viva, mesmo que seja sempre de esgueio
Mas viva

Inspire


Andressa Iha

sábado, 26 de julho de 2008

Momentos

De que são feitos
Esses momentos?
Cristalizados na eternidade perdida
O badalar dos sinos
a porta rangendo
os ponteiros dançando

Passa outro momento
Aquele piscar de olhos
A poeira das ruas,
O beco, pra se inventar uma saída

Mais uma valsa completa
O mundo gira
Sempre gira

O que transmitem esses momentos?
É dos sentidos que se fazem ?
Retalhos costurados
Impressões distintas lado a lado

O encanto que se quebra
A lágrima enxugada
O fim da espera
Um momento que acaba
Outro nele se emenda

Andressa Iha

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Sshhhh...



Sshhhh...

Silêncio,
Tem alguém dormindo
Um sono inquieto
Sonhos acordados
Visões de uma existência plena

Não incomode
Não desperte-o
Deixe que tenha em suas mãos
O fruto doce para morder
Apenas por mais esta noite dê-lhe este prazer
Afaste o Sol, prolongue a aurora
Dê tempo para a despedida
Talvez ela não aconteça

Andressa Iha

terça-feira, 1 de julho de 2008



Lentamente

Dias para perceber que partiu
Alguns meses e sentiu a sua falta
Os anos passando e não voltava
Uma década que se vai
Parte de uma vida que passou
E não volta
Faltava compreensão
Se soubesse nos primeiros dias
Sairia correndo ao seu encontro
Fugiria para longe, tentando encontrar
De cara no chão, exausto e ofegante
Como uma criança, chorando
Cheio de poeira nas narinas e nos olhos
Perceberia
Não retorna
Não o fez, e agora como um raio na cabeça
Caiu no chão e sentiu o pó
Entre a relva entendeu
Se foi

Andressa Iha
Edição de imagens: Diogo Viana
poetaeterno.blogspot.com