quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Eufemismos



Sair para passear com seu cachorro é algo muito gostoso. Engraçado como eles ficam horas nos espreitando com aquela "carinha de pena" só pra dar uma volta no quarteirão. Mas a felicidade canina traz a infelicidade humana! Tudo tem um lado bom e ruim. O lado ruim de sair para passear com seu bichinho de estimação são as fezes que ele deixa espalhado pela rua, e que ninguém faz muita questão em recolher. Quem nunca teve a desagradável surpresa de pisar em um desses dejetos? Existem países com leis para evitar esse tipo de situação, mas o Brasil ainda não se encaixa nesse grupo. Temos projetos isolados, mas nada nacional. O fato, é que as ruas são o banheiro dos nossos amigos cães.
Sempre que posso levo minha cachorra para passear. Bem perto da minha casa tem um lugar onde todos gostam muito de caminhar com seus cães, e obviamente é um local cheio de fezes.
Um dia, passeando com minha amiga de quatro patas, observei algo curioso. Ouvi uma observação de um menino, que não devia ter mais do que 5 anos. Ele estava de mãos dadas com a avó, uma senhora de cabelo branco, meio curvada. Cena bonita, a vovó e o netinho...
_Olha Vovó, quanta merda!
_Hã?? _Falou a Vovó, e eu também na hora pensei a mesma coisa (hã?)
A avó fez uma cara de surpresa. A palavra merda não é o que você espera ouvir de uma criancinha.
_Não meu filho, não é merda, é cocô.
Não sei se mudou muito... Merda, cocô, denominam a mesma matéria orgânica inútil ao corpo, o excremento. Mas nós temos disso. Usamos esses eufemismos só para ficar mais bonito, ou melhor, para enfeitar o feio.
Foi a vez do menino olhar para a avó com cara de pensativo. Parecia digerir a informação e quando se deu por entendido, largou a mão da Vovó e foi pra perto de um grande monte de matéria fecal. Apontou para ele e disse sorrindo:
_Mais merda!!
Eu dei risada.
Dessa vez a Vovó não partilhou o mesmo pensamento que eu. Seu rosto sereno foi franzindo. O menino a olhava com uma expressão de inocente.
_Já falei que não é merda, é cocô!
Não sei se o menino realmente não entendeu a diferença do uso das palavras, ou se insistia em falar a palavra proibida apenas para irritar a Vovó. Ele tinha um sorriso no rosto.
Ela pegou de novo na mão do neto, parecia irritada. Quando atravessavam a rua um motoboy passou correndo, quase os atropelou.
_Seu filho da mãe*!
Passado o susto os dois voltaram a caminhar, e eu fiquei me perguntando: "Onde será que aquele doce de menino aprendeu a falar merda?"

*tive que usar outro eufemismo!

5 comentários:

Anônimo disse...

Oi menina!! Eu estou abolindo os eufemismos, pelo menos da minha literatura!!! rs rs Beijos!!

Olga disse...

Olá!
Obrigada pela visita no meu blog SENTIR COM AS PALAVRAS.
Tenho de o actualizar, mas neste momento ando com obras em casa o que me tem impedido de fazer a actualização.

Gostei de ler este texto cheio de eufemismos! Eu também não gosto de passear e pisar "cocó"! Em Portugal também não há ainda legislação para isso, mas as pessoas já começam a ter mais cuidado.

Voltarei para ler mais.

Fique bem.

Olga.

Anônimo disse...

HAHAHAHA!!!!!!!
Amei!
E não é eufemismo!

Orpheus disse...

Diria que é um texto não muito poetico, mas engraçado, por acaso não se trata de nenhuma redação, se trata?

..::Andressa::.. disse...

Não Orpheus, é algo que eu vi de verdade. Achei muito engraçado e escrevi para não esquecer.

Edição de imagens: Diogo Viana
poetaeterno.blogspot.com